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Turismo - Etnografia - Cantigas Populares

CANTIGAS POPULARES

VIVA QUEM AQUI CHEGOU

Viva quem aqui chegou
Mais cedo não pode vir
Inda veio vem a tempo
Das nossas falas ouvir

Viva quem aqui chegou
No grãozinho de arroz
Viva os nossos convidados
Por muitos anos e bôs


CANDEEIRO DA ESQUINA

Candeeiro da esquina
Alumia cá para baixo
Eu perdi o meu amor
Às escuras não o acho

Às escuras não o acho
Eu já dei um tropeção
Agora já o achei
Obrigada lampião

Ó que lindo chapéu preto
Naquela cabeça vai
Ó que lindo rapazinho
Para genro de meu pai

Da minha janela à tua
É um salto de uma cobra
Ainda um dia hei-de chamar
À tua mãe minha sogra

Pedrinhas desta calçada
Levantai-vos e dizei
Quem vos passeia de noite
Eu de dia bem o sei

Adeus terreiro da Tulha
Adeus casa do meu pai
Onde eu me divertia
Esse tempo já lá vai


TECEDEIRA

Namorei a tecedeira
Pelo buraco da chave
Ela estava tece tece
A minha porta não se tece

Minha porta não se abre
Ela é ruim de abrir
Ela estava tece tece
E a mamã estava a dormir

A mamã estava a dormir
O papá já ressonava
Ela tece tece tece
E já era madrugada

Eu ontem à noite esteve
À conversa com o meu bem
Ele foi-se embora e me disse
Adeus amor passa bem

Adeus meu amor passa bem
Passa regalada a vida
Não é para um ano nem dois
Há-de ser para toda a vida

Eu estava para te escrever
Logo à noite ao fim da ceia
Caiu-me a pena ao chão
Apagou-se-me a candeia

Apagou-se-me a candeia
Que estava no elevador
Agora vai-te deitar
Às escuras meu amor

Minhas andadas de noite
Minhas idas ao serão
Fizeram com que eu estou preso
Menino na tua mão

Ó que luar ó que lua
Ó que céu tão estrelado
Amor que tanto me queria
A quem trará enganado


ALVITE

Rapazes e raparigas
Batei os vossos tamancos
Nas pedrinhas da calçada
Da terra que eu amo tanto

Minha terra é Alvite
Nunca hei-de negar
Qual é o tolo vadio
Que nega o seu natural

Minha terra é Alvite
Do Concelho de Moimenta
Não há gente como a nossa
Onde quer que se apresente

Dizem que Alvite é serra
É uma linda ribeira
Dizem que não lavra azeite
Lindas medas põe na eira

Diz o Manel para a Maria
Diz a Maria para o Zé
Vamos lá para a Romaria
Com a saia à tirilé.

Minha terra é Alvite
De gente trabalhadora
Que vive canta e reza
À virgem Nossa Senhora


SERÕES

À média luz da candeia
Cantavam-se lindas canções
E com o calor da palha
Nasciam grandes paixões.
Mulheres e raparigas
Meias, caturnos faziam
E lá pela meia noite
Os rapazes apareciam.

Um pouco envergonhados
Umas gracinhas diziam
E p’ra aquecer os pezinhos
Logo as sogras se ofereciam.

Não fossem meter os pés
Debaixo da sua amada
Não ficaria nada bem
Sua filha ser falada.

Por vezes homens, rapazes
Lá nos serões entravam
Levavam um realejo
Em cima da palha dançavam.

Cantavam ao desafio
Era grande a desgarrada
Os rapazes atrevidos
Cantavam à sua amada.



QUADRAS


QUEIJO

Para ordenhar as vacas
Levanto-me ao amanhecer
Coo o leite deito o coalho
Para a queijada fazer.

Depois de coalhodo
No assincho se vaia deitar
Põem-se na queijeira
Para poderem secar

O queijo quando seco
É conduto de eleição
Para se apeguilhar
Com um cibinho de pão.


TABERNA

À taberna de outrora
Tudo se ia comprar
Massa, arroz, pirolito
E de manhã matabichar.

Para matabichar
Levavam figos e pão
Bebiam um quarto d’aguardente
Faziam a primeira refeição.

A taberna também servia,
Para o homem se entreter
Jogava as cartas e o pino
Até se ir recolher.

Pão e vinho segue o caminho
Um ditado popular
Mas copo atrás de copo
Iam p’ra casa a cantar.


CESTAS

Do silvado vem a silva
A palha vem do palhal
E das mãos do artesão
Sai trabalho sem igual.

Faz a cesta para a meia
A giga para o pão
O cortiço para o sal
Trabalhos com perfeição.


CAPUCHA

Para agasalhar no Inverno
Uso capucha da serra
Podem chamar-me Alvitana
Não negarei minha terra.

Ela é feita de burel
Pisoada no pisão
Debaixo de uma capa
Muitos suspiros se dão.

De Alvite a Moimenta
Do Choupal até à Lapa
A diferença só existe
No colocar desta capa.

Coimbra tem o Mondego
Alvite tem o Varoso
Debaixo da nossa capa
Há sempre uma moça formosa.


MEIAS

Com a cesta no braço
Cinco agulhas na mão
Fazem carapuças e meias
Com uma grande perfeição.

Sentadas nas escadas
Ao abrigo ou à lareira
Fazem meias, meiotes
Para vederem na feira.

 
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